terça-feira, 19 de agosto de 2008

Demorou muito para encontrar o Fábio Jr.? Não devia

Toda vez que eu vejo um colega de imprensa reclamar que não conseguiu falar com uma "celebridade", um empresário ou um político na berlinda, me questiono sobre a minha profissão.

Infelizmente, os chamados "Promoters" ou "Relações Públicas" estão confundindo "alhos com bugalhos". E na falta de um assessor de imprensa profissional, vend0-se em apuros para dar a notícia, meus colegas de imprensa acabam sendo submetidos ao constrangimento de lidar com profissionais inexperientes, recém saídos (quando não ainda em curso) de cursinhos de publicidade e propaganda, relações públicas ou de jornalismo caça-níqueis. Cursos, em sua maioria, que ensinam apenas a teoria. Na prática, o negócio é mais embaixo. Muito mais complexo.

Mas são baratos para o mercado. Fazer o que? Concorrer? Fazer leilão para ganhar o trabalho? Com 20 anos nessa brincadeira, não entro mais nessa. Quer trabalho de qualidade? Tudo tem um custo/benefício.

Na edição desta segunda-feira, em minha leitura matinal obrigatória, da Coluna Contracapa do SANTA, sempre bem editada pelo amigo Cristiano Santos, minha indignação novamente veio a tona.


Vale a pena dar um tiro no pé?

Oras, para que contratar uma celebridade se você não pode explorá-lo, promovendo seu negócio?

Do que vale tanto investimento, se ele é contratado apenas para subir ao palco, cantar ou exibir seu corpo, se negando a interagir com público presente?

E o meio mais simples e rápido é por intemédio da mídia.

Sim, concordo! Jornalista não costuma ser amigo do assessor das celebridades. Falta realmente habilidade por parte deste que, na maioria das vezes, é um "puxa-saco" de plantão. O que falta é um assessor de imprensa ao evento ou ao promotor local. Um profissional isento de paixões.

Já prevendo todo tipo de dificuldade, cabe a este profissional planejar antecipadamente todas as ações e orientar o assessorado e a imprensa. Isso evitaria constrangimentos.

Assessor de imprensa precisa agir como facilitador para os profissionais de imprensa e não como uma "Muralha da China", e por comodismo, se aliando ao desejo egocêntrico do assessorado ou da "estrela" contratada pelo assessorado.

Se é pessoa pública, não pode se negar a conceder uma entrevista, atender a imprensa. É algo antipático e um tiro no pé em qualquer ação de marketing. E ninguém joga dinheiro fora, patrocinando um projeto furado.

O assunto é amplo e vai merecer outras postagens futuras, mas por experiência própria, vou me arriscar a contrariar algumas teses equivocadas de alguns "entendidos" em marketing em eventos de nossa cidade. Algo cada vez mais comum por aqui:


Nem deveriam vir

"Celebridade" que costuma menosprezar os profissionais de imprensa, especialmente aqueles que não trabalham na mídia do eixo Rio-São Paulo, nem deveriam vir para nossa cidade. Artista, político ou empresário que não quer dar entrevistas, fugir e dar bolo na imprensa, evitar falar de assuntos polêmicos ou matar jornalista no cansaço, deveria se transformar num monge budista e se isolar no Tibet.


Acerto é contratual

Quando do acerto contratual com uma "celebridade", deveria haver uma cláusula obrigando esta "estrela" a reservar um tempo em sua agenda para uma entrevista. Antes ou depois do compromisso contratado. Se não está previsto no contrato, com feeling, o assessor de imprensa local vai convencê-lo desta necessidade.


Não é trabalho para novatos

Deve, sim, ter a orientação do assessor da "celebridade". Mas a organização do encontro com a imprensa da cidade deveria ser feita por um assessor local, com experiência reconhecida. Nada contra estudantes ou recém formados, mas isso não é coisa para inexperientes.


Cada um na sua I

Promoter promove a festa. Não faz contato com a imprensa.


Cada um na sua II

Assessor de celebridade não é assessor de imprensa. Muito menos os guarda-roupas que costumam contratar e que se acham a última bolachinha do pacote.


Tenha um assessor local

Se não tiver assessor de imprensa no check-list, cabe ao promotor contratá-lo (um local que conheça todo mundo, preferencialmente) e obrigar esta "celebridade", contratualmente, a atender todas as estratégias de marketing propostas. Está recebendo, portanto, o promotor tem o direito de expor sua imagem para promover seu evento ou negócio.


Estrelismo é corriqueiro

No caso do Bela Vista Country Club, não me surpreendi. O que aconteceu com o Fábio Jr. vem ocorrendo há vários anos em nossa cidade. Dá a impressão, inclusive, que alguns promotores trazem shows para satisfazer apenas o seu ego ou realizar um sonho de criança. E dane-se o resto.


Onde estavam os assessores?

Me surpreendeu, sim, um fato. Pelo que pude apurar, o show tinha pelo menos dois assessores de imprensa locais. Um representando o clube. Outro contratado pelo patrocinador. E nenhum deles realmente cumpriu sua tarefa.

Foram até Gaspar para assistir ao show!

Perderam a chance de promover seus assessorados. Assim, justificariam assim o investimento em seus honorários e no cachê pago ao Fábio Jr. Sim, pois mesmo sendo um cantor das antigas e que nos últimos anos só aparece na mídia graças aos seus inúmeros casos amorosos de curta duração com ninfetinhas, patricinhas e playmates, o homem que canta "Caça e Caçador" não cobra pouco para fazer suas exibições sisudas, com cara de poucos amigos. Canta bem, apenas!

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